terça-feira, 5 de agosto de 2014

A escola é do aluno



A cada dia que passa, sinto meus alunos mais desmotivados. Trabalho com uma faixa etária de 11 a 18 anos e há pouco me dei conta da dificuldade que cada um desses meninos passa.
 
Na correria do dia a dia em sala de aula, o professor acaba deixando com que os prazos e os materiais didáticos sejam cumpridos e esquecemos da peça fundamental da escola: o aluno. É por ele que estamos ali. É o fato dele existir que põe o pão todo dia na nossa mesa. Ele é o futuro de um país. Ele é uma pessoa que sente, pensa, vive e anseia querer o melhor para si mesmo. 

Mas, será que essa nova juventude está sabendo o que é melhor para si mesmo? A internet dominou a vida de todos eles. Muitos já conhecem os prazeres iniciais das drogas e do sexo.

E a sala de aula? O quadro negro? A carteira estreita de aluno? O limitam.

As paredes que bloqueiam o uso da tecnologia o prendem, como uma penitenciária de segurança máxima em que o sinal do celular não pega. E nós, pais e professores, estamos vendo nossas crianças aprendendo todo o tipo de coisa do mundo, enquanto o conhecimento fundamental para viver em sociedade, que é papel da escola passar, está UltraPassado.

Nós sabemos que as mudanças estão aos poucos acontecendo. O gigante está acordado para a revolução do sistema educacional. Mas o processo é lento e gradual.

Enquanto isso, é fundamental que nós possamos olhar no olho desses jovens. Que nós possamos ensinar-lhes os limites do respeito e da boa convivência. Os valores que todo cidadão precisa carregar em si para viver em harmonia com o outro. Um abraço, um bom dia, um minuto de atenção, fazem sim a diferença na vida dessas nossas rebeldes vidas.

A escola está esquecendo do aluno. A escola está esquecendo o que veio fazer aqui. Parece que não estamos mais lidando com pessoas. Parece que já nos conformamos em domar bichos, ao invés de construir boa índole em um ser humano.  

Eu luto pelo aluno para que a Educação não entre em luto.

Augusto Cruz

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